Hipotireoidismo e suas revelações

hipotireoidismo
substantivo masculino
PAT
  1. 1.
    insuficiência da atividade fisiológica da glândula tireoide.
  2. 2.
    má condição orgânica resultante dessa diminuição acentuada, caracterizada por baixa taxa metabólica e perda de vitalidade.


Ano passado descobri que tenho hipotireoidismo. E mais do que ter, eu sofro desse mal e preciso diariamente me medicar, tratamento vitalício esse. É genético, quase todas as mulheres da família fazem tratamento. Sei que muitas pessoas também padecem desse mal e é bem comum muitas mulheres falarem "ah eu também tenho", eu nunca pensei que um diagnóstico tão banal podia mexer tanto com a cabeça e o corpo de alguém. 
Eu honestamente, acho essa doença assustadora, principalmente porque não sei quanto tempo vivi com isso sem perceber. Minha busca começou assim que percebi que engordei 10 quilos em menos de 3 meses a toa, no ano passado. Comecei a conversar com algumas pessoas e elas me falaram que também tinham e se tratavam pois também tiveram aumento de peso sem motivo. Fui fazer os exames de sangue e o resultado acusou uma diferença alarmante do nível normal da produção do hormônio que regulariza meu metabolismo e foi então que eu comecei a entender e me descobrir.

Chegando em casa, fui pesquisar melhor sobre essa doença e me deparei com uma bela de uma mão cheia de dedos com outros sintomas que eu estava sofrendo há muito mais tempo e não sabia, dentre elas: - Sonolência: desde que eu me entendo por gente eu durmo, e durmo muuuito. No último ano, depois que me mudei para o interior, liguei pra minha mãe várias vezes e ela reclamava sempre que eu bocejava o tempo todo durante nossas conversas. Perguntava se eu estava grávida, se não tinha dormido a noite e a verdade é que eu me sentia uma preguiçosa ao quádruplo, porque eu simplesmente não estava fazendo muita coisa na vida, acordava quase meio-dia e continuava com sono o restante do dia. - Pele, unha e cabelo: essas foram coisas que só eu percebi. Me incomodava muito o fato de eu olhar para os meus braços e pernas e ver elas branqueando, com os poros totalmente ressecados, apesar de passar hidratante. Minha unha quebrava mais do que copo de requeijão, e eu desisti de pintar ou deixar elas grandes pq elas quebravam, a qualquer momento, além de descamar. Já o cabelo, depois de usar condicionador, fazia um tufo, que eu achei que tinha penteando minhas gatas. Era desesperador, e não dava pra falar pra ninguém... eu provavelmente tava lavando o cabelo do jeito errado, ou coisa do tipo. - Aumento inexplicável de peso: tá, eu não sou nenhuma Bela Gil no quesito alimentação saudável, mas pela quantidade de alimentos que eu ingeri, não tinha como eu engordar 10 quilos do nada! Pra vocês terem noção, eu frequentei diariamente uma academia durante 2 meses e pasmem: engordei 2 quilos. Agora, em 2016, tirei um pouco do doce e ainda estou trabalhando mentalmente pra mudar minha dieta. Diminui o tamanho do meu prato, e faço de tudo pra não repetir a refeição, mas o chocolate e o açúcar ainda me cativam. A mente de gorda e o vício não ajudam muito nesse processo. Não quero ser magra, quero ser o "meu normal, o meu bonito" e isso inclui 30 quilos a menos, por favor. Sim, acho mulheres gordas lindas e queria ter o corpo da Fluvia Lacerda, mas não, não me acho nem um pouco linda com os números que minha balança acusam e aquele ser descuidado que meu espelho mostra toda vez que paro na frente dele. Porém, minha personalidade continua com sua auto estima intacta . - Problemas de memória: eu lembro que eu tinha memória de elefante, mas alguns anos atrás, provavelmente uns 3 anos, eu comecei a deixar de fazer as coisas que tinha me comprometido fazer. Meus alunos reclamavam que eu pedia material pra fazer uma atividade e na semana seguinte eu não lembrava o porque tinha pedido, nem o que eu tinha pedido. Me encontrei com minha amiga que começou a falar várias coisas e eu olhava pra cara dela do tipo: eu num fiz isso! Terrível, e pra piorar, assisti Grey's Anatomy e comecei a achar que eu tava destinada a viver com Alzheimer precoce. Xuro! - Fadiga: eu preciso aqui pedir desculpas públicas pra minha amiga Natália, que quis se encontrar comigo um monte de vezes e dei muitos calotes nela por simples falta de vontade de sair de casa. Sim, eu sou uma pessoa caseira, mas nos últimos anos eu cheguei num nível insano de não querer sair da cama, porque eu não suportava fazer nada, o que me leva ao próximo e mais alarmante sintoma: - Depressão: eu achei, por muito tempo, que depressão era uma desculpa do inferno que as pessoas tinham pra não saírem da fossa e se sentirem vítima das situações. Até que eu comecei a ver pessoas que eu admiro muito, começaram a confessar viver essa sensação mesmo sendo capazes de realizar coisas maravilhosas.

Até que eu senti um vazio tão forte, que desejei a morte durante meses. Nunca falei isso pra ninguém a não ser para duas amigas porque isso não é algo que um cristão deve cogitar ou falar em voz alta. Fiz um post quando ainda não entendia isso. Qualquer coisa me fazia chorar e o Di odiava me ver chorando, porque eu simplesmente estava com lágrimas no rosto a qualquer momento em 2015. Orava e chorava, cantava e chorava, falava com meu pai no telefone e chorava, tomava banho e chorava, conversava com o Di e chorava. Eu tinha uma tristeza em mim, e não entendia. Até porque eu estava de boa com Deus, em comunhão com Ele, com a devocional em dia, só com um ou outro problema pra resolver e muito certa de que no tempo certo , o Senhor agiria. A certeza da salvação me empurrava ainda mais pra esse desejo que que minha vida acabasse. Me senti inútil, vazia, incapaz, feia e totalmente dispensável. Pra quê continuar vivendo? Enfim, foram longos 10 meses até que isso começou a sumir. Comecei o tratamento com a famosa levotiroxina sódica, na quantidade inicial e agora estou tomando o de 50 mg. Basicamente, esse hormônio sintético faz o trabalho que minha tireoide não está fazendo, que é regular meu metabolismo fazendo ele trabalhar de maneira certa e natural. Meu susto, e alegria, foi perceber que essa bagaça funciona, assim que a tristeza e deprê louca foi indo embora assim como fumaça, e eu nem precisei me despedir dela. Sono, só quando levanto cedo pra dar aula, mas agora passo o dia tranquila, sem precisar de sonecas contínuas. Isso me faz bem pra caramba. 9 horas de sono tá bom pra mim. Minha pele e unhas estão bem, obrigada, e o cabelo deu uma melhorada bacana. Meu corte tá uma bósnia, mas fora isso, tudo bem. Chega de momentos "love by grace by Carolina Dieckmann". Meu peso está estagnado, mas eu já tô marcando nutricionista e caminhadas diárias pra diminuir os números na balança. O importante é reverter esse processo. Chegar na casa dos 70, pra começar. Minha memória me surpreende as vezes, não tá lá grande coisa, mas chega de Grey's Anatomy, pelamordideus. E a fadiga e cansaço ainda aparecem as vezes, mas aí é só colocar um pouco de vergonha na cara e se inspirar com algum novo projeto, seja fotografia, música, desenho ou pintura. 
Sei que cada organismo reflete diferentes sintomas, e esses foram os que eu consegui listar em mim. Tenho amigas que passaram por coisa pior, e honestamente eu não desejo esse diagnóstico pra ninguém. Hoje, meus problemas acabaram não me afetam como antes, eles existem, mas lido com o máximo Deboísmo que conseguir. Decidi comentar sobre o Hipotireoidismo porque, apesar de parecer ser algo banal, é uma doença silenciosa que afeta corpo e alma, se não tratada. Assim, como também existe o inverso - o Hipertireoidismo - onde a glândula produz excessivamente e altera o metabolismo em outras direções como perda de peso, taquicardia, aumento da pressão, suor excessivo, dificuldade pra dormir entre tantos outros sintomas . Eu brinco que poderia ter sido hiper pra mim, pois assim eu perderia peso, mas tem tantos contras que é melhor eu ficar na minha. Não tem cura, mas tem medicamento que paliativamente inibe seus sintomas e melhoram nossa vida. O modo mais simples pra descobrir ou descartar essa doença é com um exame de sangue completo. Eu fiz isso no SUS da minha cidade mesmo. Quem dera eu tivesse procurado antes, mas a ignorância complicou a minha vida.
Espero ter ajudado alguém que, como eu, se sente perdido nesse universo chamado corpo humano e idade no melhor estilo "o que é que tá acontecendo comigo?". E se alguém quiser compartilhar ou comentar sua experiência, fique a vontade. Aqui o Puran é livre!

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